terça-feira, 12 de março de 2013

PINTURAS DE GRÃO VASCO

Tal como vos tinha dito, vamos trabalhar conjuntamente os temas de História e de Educação Visual. Para tal, e para não precisarem de procurar muito, publico aqui três pinturas de Grão Vasco (Vasco Fernandes). A primeira já a tinha publicado no artigo sobre a pintura do Renascimento, por isso, só não conhecem as restantes. E são uma maravilha, como podem constatar!

Bom trabalho!

Vasco Fernandes, S. Pedro

 Vasco Fernandes, Natividade

 Vasco Fernandes, S. Paulo

Vasco Fernandes, Criação dos Animais

segunda-feira, 4 de março de 2013

A ESCULTURA DO RENASCIMENTO


Também os escultores renascentistas se inspiraram directamente nos modelos clássicos. As suas figuras – nomeadamente a figura humana – são representadas de forma harmoniosa e com um realismo notável para o qual contribui o estudo profundo da anatomia. Tal estudo revela o desejo de perfeição que estes escultores sempre almejaram alcançar.



É igualmente da Antiguidade Clássica que se recupera a representação do nu humano e as figuras equestres.



Ghiberti e Donatello são dois nomes grandes da escultura renascentista, mas foi com Miguel Ângelo que ela atingiu um grau de perfeição dificilmente alcançável. Repara no dinamismo, no vigor ou no dramatismo que este artista admirável consegue imprimir a todas as suas obras!




Ghiberti: Portas do Paraíso








Agora vou calar-me porque quero, apenas, que te deixes encantar pelas imagens. Já sabes: para ampliar é só clicar sobre as figuras.






Donatello: David.................................................. (David: pormenor)







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"foi Miguel Ângelo quem a fez"


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Miguel Ângelo: Escravo(inacabado) ............ Miguel Ângelo: Escravo

Posso propor um exercício? Que tal, se comparassem as representações de David feitas por Miguel Ângelo e por Donatello? Quereriam ambos representar o mesmo aspecto da personagem?Nota: para quem se não lembra, recordo que David foi o pequeno israelita que derrotou o gigante Golias com uma funda e que, depois, se veio a tornar no mais importante rei de Israel.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

RENASCIMENTO: A PINTURA

É magnífica, a pintura renascentista. Além do apuramento técnico, há muito a observar sobre esta forma de arte.

Comecemos pela atenção ao pormenor, bem visível nas pinturas do Norte da Europa. Destacamos Van Eyck, com aquela pintura que analisámos com tanto cuidado na aula. Repara bem na mestria com que estão pintadas as roupas das pessoas. E o cão? E o espelho (olha para o pormenor, apesar de a reprodução ser de pouca qualidade)? Já vês melhor o ponto de fuga? Segue, de novo, as linhas oblíquas com o olhar.



Ninguém diria que existe tanta racionalidade no estudo prévio, de tal modo tudo parece natural. Mas se repararmos bem em todas as pinturas, constataremos a grande preocupação com o equilíbrio da composição e a distribuição das formas. É assim, ou não? Se repararmos melhor, verificaremos como é frequente, tal como na escultura, a composição piramidal.








Rafael, A Escola de Atenas

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.Leonardo da Vinci, Virgem dos Rochedos............. Leonardo da Vinci, Santa Ana, a Virgem, o Menino e S. João Baptista

De seguida, observemos o naturalismo que os pintores procuram alcançar: ser fiel à realidade, retratar tudo como se fosse verdade é um grande desafio para os pintores, mesmo quando pintam figuras mitológicas ou que nunca conheceram. Reparemos, ainda, como a natureza está presente em grande número destas pinturas. Na verdade, os pintores renascentistas tiveram o cuidado de, na pintura, demonstrarem o apreço pela natureza e o conhecimento que dela têm.

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...Sandro Boticelli, Nascimento de Vénus.................... 
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Sandro Boticelli, Nascimento da Primavera

Vejamos, ainda, a diversidade dos temas tratados: religiosos, mitológicos (greco-romanos), cenas da vida quotidiana, retratos, etc. É frequente o recurso à figuração do nu, mostrando, com isso, o apreço pela Antiguidade Clássica e a valorização do corpo humano.



Miguel Ângelo, tecto da Capela Sixtina



Miguel Ângelo, Juízo final (parede do fundo da Capela Sixtina)




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Capela Sixtina, visão geral........................Capela Sixtina (pormenor da Criação do Homem)


Tal como por toda a Europa, também em Portugal se pintou segundo os modelos clássicos e foram utilizadas as novas técnicas: pintura a óleo e perspectiva. Entre nós, no entanto, é flagrante a influência da pintura do Norte da Europa, devido às estreitas relações económicas e políticas que ligam a Flandres a Portugal.

O mais notável exemplar da pintura portuguesa são os painéis de S. Vicente de Fora, políptico atribuído a Nuno Gonçalves. Aqui ficam, numa montagem que não está lá muito bem feita, mas que foi o melhor que consegui fazer.



O pintor português que mais obra nos legou foi Vasco Fernandes que, por ser tão importante, ficou conhecido por Grão Vasco. São dele as duas pinturas seguintes. Procura interpretá-las, exactamente, do mesmo modo que interprestaste as anteriores.




Grão Vasco, S. Pedro




Grão Vasco, Pentecostes


Espero que tenhas sentido, pela arte renascentista, o mesmo deslumbramento que eu sinto. Ficaria muito feliz!

BASÍLICA DE S. PEDRO

Este assunto surgiu hoje numa aula e proporciona um exercício interessante:

Os edifícios demoram muito tempo a construir, mais ainda, se se trata de construções grandiosas como a Basílica de S. Pedro em Roma. Ao longo dos tempos mudam os arquitectos; adaptam-se os planos originais (ou transformam-se) aos novos gostos, etc.
A Basílica que hoje conhecemos (existia uma anterior) começou a construir-se em 1506, por ordem do papa Júlio II que confiou as obras ao arquitecto Bramante. Essas obras só terminariam em 1627, ou seja, 20 papas e muitos arquitectos depois. Destacamos Miguel Ângelo (a cúpula) e Bernini (que criou aquela magnífica colunata que ladeia o edifício principal.

Oficialmente, no entanto, as obras só foram dadas por concluídas em 1799!

Observa bem as imagens:





Este era o edifício que existia antes de o papa Júlio II determinar a construção de um edifício mais de acordo com os gostos renascentistas.










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À esquerda podes ver a planta que Bramante tinha imaginado: era em cruz grega (com os braços do mesmo tamanho). No entanto, a planta actual é em cruz latina.


Vista geral da Praça de S. Pedro no Séc. XVIII.



Vista geral da Praça de S. Pedro actualmente. Oserva bem a colunata de Bernini.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

RENASCIMENTO: A ARQUITECTURA

Antes de mais, gostaria que cada um percorresse a página, olhasse para as imagens e se deixasse deslumbrar. Para ver a imagem ampliada basta clicar sobre ela. Depois, então, lê o texto e procura as características da…

Arquitectura do Renascimento

A arquitectura do Renascimento, já o sabes, inspirou-se directamente na arquitectura greco-romana. À Antiguidade foram-se buscar os elementos essenciais dessa forma de construir:


..............................as ordens arquitectónicas

..............................(dórica, jónica e coríntia);
..............................o arco de volta perfeita;

..............................o frontão;

..............................a abóbada de berço;

..............................a cúpula; etc.
Devido a isso, o Renascimento transforma-se numa segunda época clássica. (Nos dois esquemas podes encontrar cada um dos elementos
referidos).


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................Palácio Ruccelai...................................................... Miguel Ângelo, Biblioteca Laurentina
A característica mais evidente desta nova arquitectura é a impressão de horizontalidade (por oposição ao gótico) definida pelas cornijas, frisos e balaustradas.
Predomina um equilíbrio que é absolutamente geométrico para o qual contribui a simetria presente na distribuição dos volumes.

Bramante, Basílica de S. Pedro
Brunelleschi, Catedral de Santa Maria das Flores
Brunelleschi foi o primeiro grande arquitecto do Renascimento, responsável, entre muitas outras, pela construção de grande parte Catedral de Santa Maria das Flores em Florença, nomeadamente da sua grande cúpula.
Esta obra serviria de inspiração a quase todos os outros arquitectos, nomeadamente Bramante que construiu a Basílica de S. Pedro em Roma e Miguel Ângelo, responsável pela enorme cúpula dessa catedral.
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Miguel Ângelo, cúpula da Basílica de S. Pedro (exterior e interior)


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

PORTUGAL: A CRISE DO SÉC. XIV (alguns aspectos: 1)

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Relembremos,então, algumas das características que a crise geral do séc. XIV assumiu em Portugal. Começa por observar, atentamente, a seguinte cronologia (dissemos que o séc. XIV durou 150 anos, não foi?) e, depois, responde ao pedido:


1315 - Chuvas torrenciais por quase toda a Europa. Subida dos preços dos cereais

1331 - 33 - Maus anos agrícolas em Portugal e Castela

1348 - Peste negra

1355 - 56 - Secas; más colheitas e fomes. Em 1356 assinalam-se, ainda, vários terramotos

1361 - 63 - Peste

1365 - Peste

1364 - 66 - Fome, escassez cerealífera. Falta de mão-de-obra

1369 - 71 - Primeira guerra fernandina com Castela

1372 - Grandes inundações; sobem os preços; a moeda desvaloriza-se

1372 - 73 - Segunda guerra fernandina com Castela

1374 - Mau ano agrícola. Peste

1375 - Seca. Acentua-se a crise económica. Lei das Sesmarias

1381 - 82 - Terceira guerra fernandina com Castela

1383 - 85 - Peste. Guerras (de independência) com Castela; lutas internas devido às diferentes opções tomadas pelos alcaides dos castelos e pela nobreza.

1384 - 87 - Falta de cereais

1391 - 92 - Colheitas fracas e escassez cerealífera

1412 - 14 - Crise geral europeia. Más colheitas em Portugal e dificuldades de abastecimento

1414 - 16 - Peste

1418 - Inverno muito rigoroso que provoca perda total das colheitas

1422 -27 - Período de más colheitas

1429 - Peste

1437 - 41 - Crise agrícola; subida dos preços dos cereais. Fome e peste

1448 - 52 - peste

1452 - 55 - Maus anos de produção cerealífera. Subida do preço do pão


PROPOSTA DE INTERPRETAÇÃO:

1 - Faz o levantamento

a) de todos maus anos agrícolas (não te esqueças que, por exemplo, chuvas torrenciais e inundações implicam que o ano agrícola seja mau).

b) de todos os anos em que houve peste.

c) de todos os anos em que houve guerra


2 - Tendo em conta os dados que recolheste, que podes concluir acerca

a) da evolução demográfica ao longo do séc. XIV

b) da situação económica durante esse século

domingo, 8 de janeiro de 2012

A CARAVELA



Vimos como Gil Eanes dobrou o Bojador numa barca, navio de velas redondas e adequado à navegação oceânica, mas que não permitia bolinar [1]. Para lá do Bojador exigia-se um barco mais manobrável e robusto, que pudesse armar remos, navegar com ventos fracos ou fortes e que fosse rápido para fugir do perigo. Construímos a CARAVELA que se tornou no navio símbolo dos descobrimentos, pequena embarcação de três mastros, equipada com a revolucionária vela latina (triangular) decorada com a cruz de Cristo - símbolo da Ordem de Cristo, a ordem religiosa portuguesa de que o Infante era Mestre.


A VIDA A BORDO DAS CARAVELAS

Não damos real valor à coragem e ao esforço dos nossos descobridores se não perdermos algum tempo a aprender como era a vida a bordo.

Ao embarcar, os navios precisavam de ir abastecidos para um tempo ilimitado, por isso, animais vivos, acomodados no convés (ao lado do batel, remos, vergas, etc), barris de água e de vinho, pão, biscoito, carne salgada, peixe seco, mel, fruta seca, etc., mas também madeira e carvão ocupavam a maior parte do espaço disponível. Normalmente comiam-se os alimentos secos pois não era muito frequente fazer tempo que permitisse uma refeição quente. A alimentação era, pois, muito pobre, sobretudo em alimentos frescos.

Andava-se descalço e dormia-se onde se pudesse, à excepção do capitão que tinha um pequeno compartimento privado no castelo que se erguia à popa. O banho, como se calcula, era impensável, porque a água doce era um bem escasso e precioso.

Já que falamos em água, convém lembrar que se inquinava rapidamente, sobretudo quando submetida aos efeitos dos climas tropicais. Com alimentação tão pobre e água escassa, as doenças surgiam facilmente, particularmente o terrível escorbuto.

Era necessário fazer algumas paragens em cada viagem e os motivos eram todos importantes: abastecer de água e de alimentos frescos (diz-se: fazer aguada)[2]; consertar rombos que houvesse; limpar o casco do navio onde os moluscos se agarravam e, mais do que dificultar a viagem, poderiam corroer a madeira pondo em perigo a vida de toda a tripulação, etc.

Como a costa era desconhecida, navegava-se de dia. O convés, por ser de madeira, tinha que ser molhado diariamente. Naquelas viagens, a doença, a morte e o perigo eram os companheiros de todos os dias. Saía-se sem saber quando nem se se regressaria. O mar é a sepultura de muitos navegadores portugueses.


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[1] Bolinar, ou navegar à bolina significa a capacidade de navegar enfrentando ventos desfavoráveis.
[2] Imaginem-se as paragens feitas antes de conhecermos as línguas que falavam os povos encontrados: como comunicar? Como dizer o que se quer e se precisa? Como dizer quem somos?