segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

RENASCIMENTO: A ARQUITECTURA

Antes de mais, gostaria que cada um percorresse a página, olhasse para as imagens e se deixasse deslumbrar. Para ver a imagem ampliada basta clicar sobre ela. Depois, então, lê o texto e procura as características da…

Arquitectura do Renascimento

A arquitectura do Renascimento, já o sabes, inspirou-se directamente na arquitectura greco-romana. À Antiguidade foram-se buscar os elementos essenciais dessa forma de construir:


..............................as ordens arquitectónicas

..............................(dórica, jónica e coríntia);
..............................o arco de volta perfeita;

..............................o frontão;

..............................a abóbada de berço;

..............................a cúpula; etc.
Devido a isso, o Renascimento transforma-se numa segunda época clássica. (Nos dois esquemas podes encontrar cada um dos elementos
referidos).


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................Palácio Ruccelai...................................................... Miguel Ângelo, Biblioteca Laurentina
A característica mais evidente desta nova arquitectura é a impressão de horizontalidade (por oposição ao gótico) definida pelas cornijas, frisos e balaustradas.
Predomina um equilíbrio que é absolutamente geométrico para o qual contribui a simetria presente na distribuição dos volumes.

Bramante, Basílica de S. Pedro
Brunelleschi, Catedral de Santa Maria das Flores
Brunelleschi foi o primeiro grande arquitecto do Renascimento, responsável, entre muitas outras, pela construção de grande parte Catedral de Santa Maria das Flores em Florença, nomeadamente da sua grande cúpula.
Esta obra serviria de inspiração a quase todos os outros arquitectos, nomeadamente Bramante que construiu a Basílica de S. Pedro em Roma e Miguel Ângelo, responsável pela enorme cúpula dessa catedral.
........................
Miguel Ângelo, cúpula da Basílica de S. Pedro (exterior e interior)


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

PORTUGAL: A CRISE DO SÉC. XIV (alguns aspectos: 1)

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Relembremos,então, algumas das características que a crise geral do séc. XIV assumiu em Portugal. Começa por observar, atentamente, a seguinte cronologia (dissemos que o séc. XIV durou 150 anos, não foi?) e, depois, responde ao pedido:


1315 - Chuvas torrenciais por quase toda a Europa. Subida dos preços dos cereais

1331 - 33 - Maus anos agrícolas em Portugal e Castela

1348 - Peste negra

1355 - 56 - Secas; más colheitas e fomes. Em 1356 assinalam-se, ainda, vários terramotos

1361 - 63 - Peste

1365 - Peste

1364 - 66 - Fome, escassez cerealífera. Falta de mão-de-obra

1369 - 71 - Primeira guerra fernandina com Castela

1372 - Grandes inundações; sobem os preços; a moeda desvaloriza-se

1372 - 73 - Segunda guerra fernandina com Castela

1374 - Mau ano agrícola. Peste

1375 - Seca. Acentua-se a crise económica. Lei das Sesmarias

1381 - 82 - Terceira guerra fernandina com Castela

1383 - 85 - Peste. Guerras (de independência) com Castela; lutas internas devido às diferentes opções tomadas pelos alcaides dos castelos e pela nobreza.

1384 - 87 - Falta de cereais

1391 - 92 - Colheitas fracas e escassez cerealífera

1412 - 14 - Crise geral europeia. Más colheitas em Portugal e dificuldades de abastecimento

1414 - 16 - Peste

1418 - Inverno muito rigoroso que provoca perda total das colheitas

1422 -27 - Período de más colheitas

1429 - Peste

1437 - 41 - Crise agrícola; subida dos preços dos cereais. Fome e peste

1448 - 52 - peste

1452 - 55 - Maus anos de produção cerealífera. Subida do preço do pão


PROPOSTA DE INTERPRETAÇÃO:

1 - Faz o levantamento

a) de todos maus anos agrícolas (não te esqueças que, por exemplo, chuvas torrenciais e inundações implicam que o ano agrícola seja mau).

b) de todos os anos em que houve peste.

c) de todos os anos em que houve guerra


2 - Tendo em conta os dados que recolheste, que podes concluir acerca

a) da evolução demográfica ao longo do séc. XIV

b) da situação económica durante esse século

domingo, 8 de janeiro de 2012

A CARAVELA



Vimos como Gil Eanes dobrou o Bojador numa barca, navio de velas redondas e adequado à navegação oceânica, mas que não permitia bolinar [1]. Para lá do Bojador exigia-se um barco mais manobrável e robusto, que pudesse armar remos, navegar com ventos fracos ou fortes e que fosse rápido para fugir do perigo. Construímos a CARAVELA que se tornou no navio símbolo dos descobrimentos, pequena embarcação de três mastros, equipada com a revolucionária vela latina (triangular) decorada com a cruz de Cristo - símbolo da Ordem de Cristo, a ordem religiosa portuguesa de que o Infante era Mestre.


A VIDA A BORDO DAS CARAVELAS

Não damos real valor à coragem e ao esforço dos nossos descobridores se não perdermos algum tempo a aprender como era a vida a bordo.

Ao embarcar, os navios precisavam de ir abastecidos para um tempo ilimitado, por isso, animais vivos, acomodados no convés (ao lado do batel, remos, vergas, etc), barris de água e de vinho, pão, biscoito, carne salgada, peixe seco, mel, fruta seca, etc., mas também madeira e carvão ocupavam a maior parte do espaço disponível. Normalmente comiam-se os alimentos secos pois não era muito frequente fazer tempo que permitisse uma refeição quente. A alimentação era, pois, muito pobre, sobretudo em alimentos frescos.

Andava-se descalço e dormia-se onde se pudesse, à excepção do capitão que tinha um pequeno compartimento privado no castelo que se erguia à popa. O banho, como se calcula, era impensável, porque a água doce era um bem escasso e precioso.

Já que falamos em água, convém lembrar que se inquinava rapidamente, sobretudo quando submetida aos efeitos dos climas tropicais. Com alimentação tão pobre e água escassa, as doenças surgiam facilmente, particularmente o terrível escorbuto.

Era necessário fazer algumas paragens em cada viagem e os motivos eram todos importantes: abastecer de água e de alimentos frescos (diz-se: fazer aguada)[2]; consertar rombos que houvesse; limpar o casco do navio onde os moluscos se agarravam e, mais do que dificultar a viagem, poderiam corroer a madeira pondo em perigo a vida de toda a tripulação, etc.

Como a costa era desconhecida, navegava-se de dia. O convés, por ser de madeira, tinha que ser molhado diariamente. Naquelas viagens, a doença, a morte e o perigo eram os companheiros de todos os dias. Saía-se sem saber quando nem se se regressaria. O mar é a sepultura de muitos navegadores portugueses.


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[1] Bolinar, ou navegar à bolina significa a capacidade de navegar enfrentando ventos desfavoráveis.
[2] Imaginem-se as paragens feitas antes de conhecermos as línguas que falavam os povos encontrados: como comunicar? Como dizer o que se quer e se precisa? Como dizer quem somos?

sábado, 30 de outubro de 2010

PORTUGAL: A CRISE DO SÉC. XIV (alguns aspectos: 2)

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CRISE POLÍTICA

As guerras marcaram presença em Portugal. Destaco, aqui, as guerras fernandinas (que não foram únicas, como te deves lembrar), pelas consequências desastrosas que tiveram:


1ª guerra: (1369 - 1371) Por morte, sem herdeiros legítimos, do rei Pedro I de Castela, D. Fernando considera-se pretendente ao trono desse reino. Tem a apoiá-lo, os reis de Aragão e de Granada. No acordo com Aragão, D. Fernando compromete-se a casar com D. Leonor, filha do rei de Aragão. A concretizar-se, seria a realização do sonho da união Ibérica.
D. Fernando é derrotado e, no tratado de paz, compromete-se a casar com D.Leonor, filha de Henrique II de Castela, a quem reconhece como rei.

2ª guerra: (1372 -1373) João de Gante, filho do rei Eduardo III de Inglaterra, assume-se, também, como pretendente ao trono de Castela. Propõe uma aliança a D. Fernando, que aceita. Durante esta guerra, Lisboa é invadida e destroçada pelas tropas castelhanas e isso leva D. Fernando a, sem consultar os ingleses, mudar de partido, reconhecendo, de novo, a legitimidade de Henrique II.

3ª guerra: (1381 - 1382) Nova aliança de D. Fernando com os ingleses; nova guerra com Castela; nova mudança de D. Fernando: de novo solidário com o rei de Castela, perde a terceira guerra. Desta vez, João de Gante também assina a paz, celebrada através do casamento do herdeiro do trono de Castela com D. Catarina, filha deste príncipe inglês.
A paz entre Portugal e Castela foi celebrada através do Tratado de Salvaterra de Magos (2/4/1383) que, entre outras cláusulas, estabelece o contrato de casamento de D. Beatriz, única filha de D. Fernando, com o próprio rei de Castela, (D. João I). Está aberto o caminho para uma das maiores crises políticas que Portugal já viveu.


CURIOSIDADES: algumas confusões diplomáticas de D. Fernando:

· A Cristandade vivia momentos de grande crise: entre 1378 e 1417 existiram dois papas em simultâneo: um, em Roma, apoiado pelos italianos e pelos ingleses (Urbano VI), outro, em Avinhão, apoiado pelos franceses e Castelhanos (Clemente VII). Esta crise só será resolvida em 1417, pela eleição, unânime, do Papa Martinho V.
Qual a atitude de D. Fernando face ao grande Cisma do Ocidente (assim se chamou esta crise na igreja)? Como em tudo o mais, nunca teve uma só atitude: foi mudando o apoio conforme estabelecia a paz com Castela, ou entrava em guerra com ela.

· Após ter estado noivo de duas Leonores, casa com uma terceira: D. Leonor Teles, odiada pelo povo e que já era casada.

· Ao longo das três guerras negociou quatro casamentos para a sua filha. Veio a casá-la com o quinto noivo, o próprio rei de Castela.

CRISE ECONÓMICA

Tal como na restante Europa, a crise começa pelo sector frumentário: anos de chuva intensa fazem apodrecer as sementes. A escassez de cereais provoca, de início, a subida dos preços a que se seguem fomes. Estas, somadas às pestes, provocam um recuo demográfico e, de seguida, crise de mão-de-obra, agravada pelas guerras. O aumento dos salários é, pois, inevitável. Simultaneamente, os camponeses abandonam os campos, agravando a situação na agricultura e nas cidades onde, apesar da grande mortandade, dificilmente encontrarão trabalho.

Se, no início do século, assistimos à subida generalizada dos preços (particularmente após a peste negra de 1348 e após a peste de 1361), entre 1370 e 1380 eles descem drasticamente, em sintonia com a baixa de preços europeia: possivelmente, a falta de dinheiro implica a diminuição da procura.
Com a desvalorização da moeda, todos aqueles que recebem rendimentos em dinheiro perdem capacidade económica. É o exemplo da classe senhorial (nobreza e clero) que, em termos relativos, sente mais a crise do que as classes populares.

A tendência para a desvalorização da moeda só começou a inverter-se no final do reinado de D. João I, e a situação só estabilizará no reinado de D. Afonso V devido à paz interna e ao afluxo de ouro que começa a chegar da costa africana.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O GIGANTE ADAMASTOR

Os Lusíadas, episódio do Adamastor. 

Este episódio (canto V) integra a narração que Vasco da Gama faz ao rei de Melinde, a seu pedido, da História de Portugal. É, portanto, Vasco da Gama quem fala.

Porém já cinco sóis eram passados
Que dali nos partíramos, cortando
Os mares nunca d'outrem navegados,
Prosperamente os ventos assoprando,
Quando hũa noute, estando descuidados ......................... uma noite
Na cortadora proa vigiando,
Hũa nuvem que os ares escurece,
Sobre nossas cabeças aparece.

Tão temerosa vinha e carregada,
Que pôs nos corações um grande medo;
Bramindo, o negro mar de longe brada,
Como se desse em vão nalgum rochedo.
Potestade (disse) sublimada: .....................................  poder divino
Que ameaço divino ou que segredo
Este clima e este mar nos apresenta, ...............................  região
Que mor cousa parece que tormenta?" ............................  maior

Não acabava, quando hũa figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida, ............................. vigorosa, imponente
De disforme e grandíssima estatura;
O rosto carregado, a barba esquálida, ............................ suja
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má e a cor terrena e pálida;
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos.

Tão grande era de membros, que bem posso
Certificar-te que este era o segundo
De Rodes estranhíssimo Colosso, .............................. Refere-se à estátua colossal de Zeus em Rodes
Que um dos sete milagres foi do mundo.
Cum tom de voz nos fala, horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo.
Arrepiam-se as carnes e o cabelo,
A mim e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo!

E disse: «Ó gente ousada, mais que quantas
No mundo cometeram grandes cousas,
Tu, que por guerras cruas, tais e tantas,
E por trabalhos vãos nunca repousas,
Pois os vedados términos quebrantas ........................... rompes os limites proibidos
E navegar meus longos mares ousas,
Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho,
Nunca arados de estranho ou próprio lenho................. navio

«Pois vens ver os segredos escondidos
Da natureza e do húmido elemento,
A nenhum grande humano concedidos
De nobre ou de imortal merecimento,
Ouve os danos de mim que apercebidos
Estão a teu sobejo atrevimento, ................................ Males que preparei por causa do teu atrevimento
Por todo o largo mar e pela terra
Que inda hás-de sobjugar com dura guerra.»

«Sabe que quantas naus esta viagem
Que tu fazes, fizerem, de atrevidas,
Inimiga terão esta paragem,
Com ventos e tormentas desmedidas;
E da primeira armada que passagem ........................... a de Pedro Álvares Cabral
Fizer por estas ondas insofridas, ................................... nunca navegadas
Eu farei de improviso tal castigo
Que seja mor o dano que o perigo!»

«Aqui espero tomar, se não me engano,
De quem me descobriu suma vingança; ................. refere-se à morte de Bartolomeu Dias
E não se acabará só nisto o dano
De vossa pertinace confiança: .................................. persistente
Antes, em vossas naus vereis, cada ano,
Se é verdade o que meu juízo alcança,
Naufrágios, perdições de toda sorte,
Que o menor mal de todos seja a morte!»

Mais ia por diante o monstro horrendo,
Dizendo nossos fados, quando, alçado,
Lhe disse eu:–Quem és tu, que esse estupendo
Corpo, certo me tem maravilhado?
A boca e os olhos negros retorcendo
E dando um espantoso e grande brado,
Me respondeu, com voz pesada e amara, ..................... amarga
Como quem da pergunta lhe pesara:

«Eu sou aquele oculto e grande cabo
A quem chamais vós outros Tormentório,
Que nunca a Ptolomeu, Pompónio, Estrabo,
Plínio e quantos passaram fui notório. ........................ naturalistas da Antiguidade Clássica
Aqui toda a africana costa acabo
Neste meu nunca visto promontório,
Que para o polo antarctico se estende,
A quem vossa ousadia tanto ofende.»